segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sobre Lulu, Tubby, vídeos e privacidade

Depois das polêmicas sobre Lulu, Tubby, vídeos íntimos compartilhados no whatsapp , fica a questão: por que existe a necessidade de se compartilhar experiências íntimas, a ponto de deixar um parceiro tão exposto? Claro que esta não é uma atitude recente, desde os primórdios, homens e mulheres dividem com seus amigos um pouco da sua vida sexual. Mas o que assusta é que cada vez mais isso toma uma proporção maior. O que antes era conhecimento quiçá do bairro, agora é conhecimento mundial. Não existe mais privacidade. As pessoas pouco se respeitam. Estamos virando, mesmo, objetos.

Não sou hipócrita de dizer que não baixei o Lulu. Sim, confesso que baixei, mas logo que vi avaliações de exs meus e de namorados de amigas minhas pirei e não foi no bom sentido. Meu instinto ciumento não me deixa ter um aplicativo desses. E logo ele perdeu a graça, principalmente porque sou uma noiada e fiquei pensando se com aquelas que tinham avaliado os exs tinha sido melhor do que comigo, e quem eram (desculpem o palavriado) aquelas vadias que estavam avaliando os namorados das minhas amigas. Enfim, não nasci para ter esse aplicativo na minha vida.

Costumo brincar com um amigo que “se soubéssemos o que as pessoas fazem em quatro paredes não tínhamos amigos, não dávamos nem oi para o porteiro”. Porque o que acontece ali é de interesse somente de quem ali está participando, sejam elas duas, três, ou quantas pessoas estiverem. Mas quem está ali acredita e confia que o que ali acontecer, ali vai ficar. Tipo o que acontece em Vegas, fica em Vegas.

Não culpo e, muito menos, julgo, e acho que todos deviam fazer o mesmo, as meninas que tiveram seus vídeos e fotos vazadas na Internet por seus namorados, ficantes ou parceiros. Porque elas não são culpadas de nada, fizeram o que estavam com vontade, com quem tinham certa intimidade e confiança, porque ninguém vai para cama com alguém imaginando que ele irá te expor desta forma. Dizer que elas não deveriam ter feito as fotos e os vídeos é machismo e hipocrisia. Quem não devia NUNCA ter divulgados os mesmos eram esses caras em quem elas acreditaram. Eles, sim, agiram errado e traíram uma confiança depositada.

Como disse anteriormente, falar, comentar, todo mundo faz, mas não é necessário expor as pessoas, muito menos avaliá-las com hastags e notas. Isso é infantil e demonstra o quanto ainda estamos imaturos em relação ao sexo. E, assim, infelizmente o Poder Público tem que agir para mudar alguns comportamentos. É o caso do projeto de lei do Deputado Federal Romário que torna crime a divulgação indevida de fotos e vídeos íntimos, a chamada pornografia de revanche. O baixinho vem surpreendendo positivamente em seu mandato, e essa é uma de suas belas iniciativas.


Para terminar deixo uma frase que achei bem propícia sobre o tema “Privacidade é o direito de decidir quem te conhece” Edward Snowden. É isso, escolhemos quem nós queremos que nos conheça e, com certeza, não queremos que seja o mundo inteiro. 

domingo, 11 de agosto de 2013

Carta ao meu pai

Pai, nossa relação sempre foi de poucos dizeres e alguns embates. Muitas vezes não lhe disse o quanto é importante para mim e nossa família. Muitas vezes evitei o contato, por medo, respeito exagerado. Talvez isso aconteça por sermos muito parecidos e eu não querer enxergar em você  o que não queria ver em mim mesma. Mas hoje venho somente te agradecer:

Obrigada por ter brigado comigo por ter tirado B em alguma matéria, devia ser matemática. Tudo bem que nunca mais mostrei meu boletim para você, mas isso me fez querer sempre me superar e me mostrou a importância do estudo;

Obrigada por ter deixado seus vícios pelo bem de sua família, principalmente de seus filhos. Imagino como isso deve ter sido difícil e mostra como você é determinado. Poucos conseguiriam o que você conseguiu, sozinho;

Obrigada por ter nos ensinado a sermos leais com as pessoas e conservar nossas amizades, acima de tudo;

Obrigada por me mostrar, involuntariamente, que a cozinha é o melhor lugar de uma casa, de onde saem coisas que aproximam a família;

Obrigada por nos ensinar o valor do trabalho, e que  tudo o que conseguimos com nosso próprio suor tem muito mais valor;

Obrigada por chorar com nossas vitórias, isso o torna mais humano;

Obrigada por ter ajudado minha mãe a estudar;

Obrigada por me fazer torcer pelo Vasco, algo que nos aproxima tanto, mesmo não estando numa boa fase, mas já nos alegrou muito.

Só te peço uma coisa: nos deixe cuidar de você. Ainda há muito para você viver; você ainda tem que ver o sucesso de suas netas e o nascimento e crescimento dos meus filhos, que ainda virão.

Te amo, Beatriz (porque para o meu pai nunca é Bia).

terça-feira, 11 de junho de 2013

Um coração com dono e um corpo livre

Você pode até negar, renegar, não aceitar, mas meu coração é seu. Ele te escolheu como dono e não há nada que você possa fazer para mudar isso. Quando você chegou, ele não te deu bola, achou que era mais um, entre tantos outros que já tentaram por ali permanecer. Mas logo você conseguiu se instalar e ficar, mesmo sem perceber, ou até mesmo querer. Meu coração vagabundo te decretou como seu dono. Como um cachorro vira lata, aceitou qualquer pedação de pão que você ofereceu.

Já meu corpo não tem dono. Não porque seja menos vagabundo que meu coração, não é isso. Mas é porque você não quer andar ao seu lado. Ele vinga o coração de tudo o que ele sofre por você. Sua indecisão, sua falta de compromisso, seu desdém com meu coração são vingados por meu corpo, que não tem dono. Ele vive livre, a vagar por quem o queira, mesmo que por uma noite.


Agora, o coração pode invejar meu corpo e querer se vingar. E trocar de dono. Se encantar por outro corpo. Ou mesmo, desistir de você. Desistir de tentar. E ser livre como meu corpo. O encanto pela liberdade pode levar meu coração a desistir de você. Aí será tarde para você tentar, caso você queira. É o risco que você assume de não assumir ser dono do meu coração. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Passado, presente, futuro e nossa bagagem



Conversando com um amigo sobre presente, passado e futuro, ele me disse uma coisa que me deixou intrigada. Para ele, uma pessoa que fica relembrando o que viveu age como um robô artificial, sem naturalidade espontaneidade. Discordei, em partes, da opinião do meu amigo. Realmente, a lembrança eterna do que se viveu pode engessar seus atos. Mas, assim como um povo que não conhece a sua história tende a repeti-la, acredito que a pessoa que esquece sua história, o que viveu, as pessoas que passaram pela sua vida, tende a repetir os mesmos erros, a mesma história.   
      
Tudo o que vivemos compõe a nossa bagagem de vida. Não podemos abandonar esta bagagem. Ela é que nos identifica diante do mundo, já que nenhuma pessoa tem a mesma bagagem de outra, mesmo sendo irmãs gêmeas. E como tia de gêmeas posso garantir que a bagagem de uma é totalmente diferente da outra. São nossas experiências com as pessoas, principalmente, que formam nossa identidade, o que somos no mundo. 

Como posso me esquecer que: vivi uma infância pé no chão, com grandes amigas de infância; que meu primos mais sacanas me chamavam de Dumbo por causa do tamanho das minhas “pequenas” orelhas; que estudei quase minha vida toda em escola pública e vi alunos irem à escola para merendar; que por ser a mais nova fui sempre protegida pelos meus pais e irmãos; que tive medo de perder minha irmã e meu pai ao mesmo tempo; que presenciei alguns milagres na minha família; que vi primos e amigos perderem seus pais; que vivi um Carnaval inesquecível com meus amigos em 2006, que vai ser difícil de superar?

Estas e outras experiências me fizeram ser o que sou hoje. Com elas: aprendi a valorizar minha família; aumentei minha fé em Deus e Nossa Senhora; descobri que amigos são a família que escolhemos, mesmo; vivenciei o aumento da minha auto estima e fiquei muito mais bonita por isso; fiquei muito mais segura e independente; sou uma pessoa ainda mais humilde, capaz de estar em palácios e casebres; sei o valor da educação, do amor, da amizade e de um prato de comida. 

Já caí na armadilha de ser, como meu amigo disse, um “robô automático”, que ficava remoendo o passado e não vivendo o presente. Mas aprendi a lidar com meu passado, entendendo que ele construiu minha bagagem existencial. Hoje ao invés de me engessar, vejo o que vivi e construí neste pequeno caminho percorrido e toma minhas decisões com mais convicção de estar fazendo a coisa certa. Não tenho mais medo de sofrer, tenho medo de não viver. 

E você? Qual sua bagagem?