terça-feira, 16 de abril de 2013

Passado, presente, futuro e nossa bagagem



Conversando com um amigo sobre presente, passado e futuro, ele me disse uma coisa que me deixou intrigada. Para ele, uma pessoa que fica relembrando o que viveu age como um robô artificial, sem naturalidade espontaneidade. Discordei, em partes, da opinião do meu amigo. Realmente, a lembrança eterna do que se viveu pode engessar seus atos. Mas, assim como um povo que não conhece a sua história tende a repeti-la, acredito que a pessoa que esquece sua história, o que viveu, as pessoas que passaram pela sua vida, tende a repetir os mesmos erros, a mesma história.   
      
Tudo o que vivemos compõe a nossa bagagem de vida. Não podemos abandonar esta bagagem. Ela é que nos identifica diante do mundo, já que nenhuma pessoa tem a mesma bagagem de outra, mesmo sendo irmãs gêmeas. E como tia de gêmeas posso garantir que a bagagem de uma é totalmente diferente da outra. São nossas experiências com as pessoas, principalmente, que formam nossa identidade, o que somos no mundo. 

Como posso me esquecer que: vivi uma infância pé no chão, com grandes amigas de infância; que meu primos mais sacanas me chamavam de Dumbo por causa do tamanho das minhas “pequenas” orelhas; que estudei quase minha vida toda em escola pública e vi alunos irem à escola para merendar; que por ser a mais nova fui sempre protegida pelos meus pais e irmãos; que tive medo de perder minha irmã e meu pai ao mesmo tempo; que presenciei alguns milagres na minha família; que vi primos e amigos perderem seus pais; que vivi um Carnaval inesquecível com meus amigos em 2006, que vai ser difícil de superar?

Estas e outras experiências me fizeram ser o que sou hoje. Com elas: aprendi a valorizar minha família; aumentei minha fé em Deus e Nossa Senhora; descobri que amigos são a família que escolhemos, mesmo; vivenciei o aumento da minha auto estima e fiquei muito mais bonita por isso; fiquei muito mais segura e independente; sou uma pessoa ainda mais humilde, capaz de estar em palácios e casebres; sei o valor da educação, do amor, da amizade e de um prato de comida. 

Já caí na armadilha de ser, como meu amigo disse, um “robô automático”, que ficava remoendo o passado e não vivendo o presente. Mas aprendi a lidar com meu passado, entendendo que ele construiu minha bagagem existencial. Hoje ao invés de me engessar, vejo o que vivi e construí neste pequeno caminho percorrido e toma minhas decisões com mais convicção de estar fazendo a coisa certa. Não tenho mais medo de sofrer, tenho medo de não viver. 

E você? Qual sua bagagem?