Pai, nossa relação sempre foi de poucos dizeres e alguns
embates. Muitas vezes não lhe disse o quanto é importante para mim e nossa
família. Muitas vezes evitei o contato, por medo, respeito exagerado. Talvez
isso aconteça por sermos muito parecidos e eu não querer enxergar em você o que não queria ver em mim mesma. Mas hoje
venho somente te agradecer:
Obrigada por ter brigado comigo por ter tirado B em alguma
matéria, devia ser matemática. Tudo bem que nunca mais mostrei meu boletim para
você, mas isso me fez querer sempre me superar e me mostrou a importância do
estudo;
Obrigada por ter deixado seus vícios pelo bem de sua família,
principalmente de seus filhos. Imagino como isso deve ter sido difícil e mostra
como você é determinado. Poucos conseguiriam o que você conseguiu, sozinho;
Obrigada por ter nos ensinado a sermos leais com as pessoas
e conservar nossas amizades, acima de tudo;
Obrigada por me mostrar, involuntariamente, que a cozinha é
o melhor lugar de uma casa, de onde saem coisas que aproximam a família;
Obrigada por nos ensinar o valor do trabalho, e que tudo o que conseguimos com nosso próprio suor
tem muito mais valor;
Obrigada por chorar com nossas vitórias, isso o torna mais
humano;
Obrigada por ter ajudado minha mãe a estudar;
Obrigada por me fazer torcer pelo Vasco, algo que nos aproxima
tanto, mesmo não estando numa boa fase, mas já nos alegrou muito.
Só te peço uma coisa: nos deixe cuidar de você. Ainda há
muito para você viver; você ainda tem que ver o sucesso de suas netas e o
nascimento e crescimento dos meus filhos, que ainda virão.
Te amo, Beatriz (porque para o meu pai nunca é Bia).
